Relatório de dados · Atualizado em outubro de 2026

Leishmaniose visceral no Brasil: casos e mortes por ano, estados com mais casos e o que a lei diz sobre o cachorro com leishmaniose

O Brasil confirmou 1.331 casos novos de leishmaniose visceral humana em 2025 e 1.245 em 2024, o menor número desde 2007, segundo o Sinan. O pico recente foi 2017, com 4.103 casos humanos. Maranhão, Ceará, Minas Gerais e Piauí lideraram os casos humanos em 2025. O cachorro é o principal reservatório do parasita nas cidades, e a doença passa para pessoas e outros cães pela picada do mosquito-palha. O tratamento canino com produto veterinário registrado é possível desde 2016, quando o primeiro chegou ao mercado, mas não elimina o parasita. O Ministério da Saúde ainda recomenda a eutanásia como uma das medidas de controle, numa política que segue em debate.

Cachorro vira-lata caramelo deitado no chão de cimento de um quintal limpo, com mangueira e muro branco ao fundo
Imagem ilustrativa. Os dados e os gráficos vêm das fontes citadas neste relatório.
52.674
casos novos de leishmaniose visceral humana confirmados no Brasil de 2007 a 2025, segundo o Sinan
1.331
casos novos de leishmaniose visceral humana em 2025 (dado preliminar)
116
pessoas com caso novo em 2025 que morreram de leishmaniose visceral (preliminar)
4.103
casos humanos de leishmaniose visceral em 2017, o maior número anual desde 2007
50%
queda da prevalência da doença em cães nas áreas com coleira de deltametrina, junto com as demais ações, no estudo do Ministério da Saúde (2012 a 2015)

Pela equipe editorial do dogeats.in · Publicado em 16 de outubro de 2026 · Atualizado em 18 de outubro de 2026 · Uso livre com crédito (CC BY 4.0)

65 estatísticas · 12 fontes · 4 gráficos · 5 tabelas · cada número conferido na fonte

Principais conclusões

  1. O Brasil confirmou 1.331 casos novos de leishmaniose visceral humana em 2025, segundo dados preliminares do Sinan.
  2. Em 2024 foram 1.245 casos novos, o menor número anual da série que começa em 2007.
  3. O pico recente foi 2017, com 4.103 casos humanos; de 2017 a 2024 os casos anuais caíram cerca de 70% (cálculo do dogeats.in).
  4. Em 2025, 116 pessoas com caso novo confirmado morreram de leishmaniose visceral; em 2024 foram 124.
  5. A letalidade oficial da leishmaniose visceral no Brasil foi de 11% em 2022, segundo o Ministério da Saúde.
  6. Maranhão e Ceará tiveram 183 casos humanos cada em 2025, à frente de Minas Gerais (128) e Piauí (126).
  7. O Nordeste respondeu por 647 dos 1.331 casos humanos de 2025 (soma do dogeats.in); outros 237 não tinham estado de infecção definido.
  8. Em 2024, 270 dos casos novos foram em crianças com menos de 10 anos e 263 em pessoas com coinfecção por HIV.
  9. O estudo do Ministério da Saúde encoleirou mais de 300 mil cães de 2012 a 2015. Nele, a coleira com deltametrina 4%, junto com as demais ações de controle, reduziu em 50% a prevalência da doença em cães nas áreas de intervenção.
  10. Em maio de 2023 o Ministério da Agricultura suspendeu a fabricação e a venda da vacina Leish-Tec e mandou recolher oito lotes. Até a última verificação, em outubro de 2026, não encontramos liberação oficial.

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Infográfico: Leishmaniose visceral no Brasil: casos e mortes por ano, estados com mais casos e o que a lei diz sobre o cachorro com leishmaniose
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Principais conclusões: Leishmaniose visceral no Brasil: casos e mortes por ano, estados com mais casos e o que a lei diz sobre o cachorro com leishmaniose
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Quantos casos de leishmaniose tem no Brasil?

O Brasil confirmou 1.331 casos novos de leishmaniose visceral humana em 2025, segundo dados preliminares do Sinan atualizados em agosto de 2026. Em 2024 foram 1.245, o menor número anual desde 2007.

A série oficial mostra entre 2.953 e 3.816 casos humanos por ano de 2007 a 2016 e um pico de 4.103 em 2017. Desde então a curva caiu: 2.529 em 2019, 1.684 em 2022 e 1.461 em 2023. Somados, foram 52.674 (soma do dogeats.in) casos novos de 2007 a 2025.

A leishmaniose visceral, também chamada de calazar, é uma doença de notificação compulsória. Os números deste relatório contam só os casos novos, sem recidivas nem transferências. Com esse filtro, os totais de 2007 a 2022 coincidem com a tabela de casos publicada pelo Ministério da Saúde.

Casos novos de leishmaniose visceral humana no Brasil por ano, 2007 a 2025
Casos novos de leishmaniose visceral humana no Brasil por ano, 2007 a 20252007: 3.204; 2008: 3.381; 2009: 3.557; 2010: 3.433; 2011: 3.816; 2012: 2.953; 2013: 3.183; 2014: 3.362; 2015: 3.223; 2016: 3.127; 2017: 4.103; 2018: 3.466; 2019: 2.529; 2020: 1.933; 2021: 1.683; 2022: 1.684; 2023: 1.461; 2024: 1.245; 2025: 1.33102.0004.0006.00020073.204200920112013201520174.1032019202120231.24520251.331casos

Fonte: Ministério da Saúde, Sinan Net (TabNet/DATASUS), casos confirmados com tipo de entrada caso novo, por ano de notificação. Dados de 2025 preliminares, atualizados em 04/08/2026.

Ver os números
Labelcasos
20073.204
20083.381
20093.557
20103.433
20113.816
20122.953
20133.183
20143.362
20153.223
20163.127
20174.103
20183.466
20192.529
20201.933
20211.683
20221.684
20231.461
20241.245
20251.331
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A queda de casos humanos não quer dizer que a doença sumiu. Numa nota técnica de 2021, o Ministério da Saúde descreve a leishmaniose visceral como uma doença em expansão geográfica no país. Sem tratamento, ela pode levar à morte até 90% dos casos.

Quantas pessoas morrem de leishmaniose visceral por ano?

Em 2025, 116 pessoas com caso novo confirmado morreram de leishmaniose visceral, segundo o Sinan, e em 2024 foram 124. De 2015 a 2025 foram 2.136 mortes pela doença entre os casos novos (soma do dogeats.in).

A letalidade oficial calculada pelo Ministério da Saúde foi de 11% em 2022, contra 5,9% em 2007, primeiro ano da série atual. Sem tratamento, a doença pode matar até 90% dos doentes, segundo o ministério. O tratamento humano é gratuito no SUS.

O manual do Ministério da Saúde aponta maior suscetibilidade das crianças, e a coinfecção por HIV também pesa nos registros. Em 2024, 270 dos 1.245 casos novos foram em crianças com menos de 10 anos, e 263 em pessoas com coinfecção por HIV. Em 2025 foram 271 crianças e 260 pessoas com HIV.

Mortes por leishmaniose visceral entre casos humanos novos no Brasil, 2015 a 2025
Mortes por leishmaniose visceral entre casos humanos novos no Brasil, 2015 a 20252015: 246; 2016: 252; 2017: 317; 2018: 276; 2019: 196; 2020: 157; 2021: 164; 2022: 165; 2023: 123; 2024: 124; 2025: 116010020030040020152462016252201731720182762019196202015720211642022165202312320241242025116mortes

Fonte: Ministério da Saúde, Sinan Net (TabNet/DATASUS), evolução óbito por leishmaniose visceral entre casos novos confirmados, por ano de notificação. Dados de 2025 preliminares. A tabela oficial de óbitos do ministério traz números um pouco diferentes para alguns anos.

Ver os números
Labelmortes
2015246
2016252
2017317
2018276
2019196
2020157
2021164
2022165
2023123
2024124
2025116
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Casos novos de leishmaniose visceral humana por faixa etária, Brasil, 2024 e 2025
Faixa etária20242025
Menos de 1 ano6351
1 a 4 anos147146
5 a 9 anos6074
10 a 14 anos3239
15 a 19 anos5348
20 a 39 anos338361
40 a 59 anos375386
60 a 64 anos6679
65 a 69 anos4151
70 a 79 anos4664
80 anos ou mais2432
Total1.2451.331

Os sintomas principais em pessoas, segundo o Ministério da Saúde, são febre de longa duração, aumento do fígado e do baço, perda de peso, fraqueza e anemia. Quem mora em área com casos e tem febre que não passa deve procurar uma unidade de saúde.

Qual estado tem mais leishmaniose?

Maranhão e Ceará foram os estados com mais casos humanos novos de leishmaniose visceral em 2025, com 183 cada, contados pelo estado provável de infecção. Em 2024 o Maranhão liderou com 221 casos, seguido de Ceará (159), Minas Gerais (117) e Piauí (102).

O Nordeste concentra a doença: foram 647 dos 1.331 casos humanos de 2025 (somas por região feitas pelo dogeats.in). O Sudeste teve 191, quase todos em Minas Gerais e São Paulo, e o Norte teve 172, com Pará e Tocantins à frente. No Sul houve 1 caso.

Uma parte grande dos registros não informa onde a pessoa se infectou: 237 casos em 2025 e 234 em 2024. Por isso os totais por estado são um piso, não o número exato.

Cachorro vira-lata preto e branco em pé à sombra de um cajueiro numa rua de terra com casas baixas coloridas
Maranhão e Ceará tiveram 183 casos humanos de leishmaniose visceral cada em 2025, os números mais altos do país. Imagem ilustrativa.
Estados com mais casos novos de leishmaniose visceral humana em 2025, por estado provável de infecção

Fonte: Ministério da Saúde, Sinan Net (TabNet/DATASUS), casos novos por UF de infecção. Dados de 2025 preliminares, atualizados em 04/08/2026.

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Labelcasos
Maranhão183
Ceará183
Minas Gerais128
Piauí126
Pará97
Tocantins63
São Paulo60
Bahia49
Mato Grosso do Sul38
Mato Grosso32
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Casos novos de leishmaniose visceral humana por região de infecção, Brasil, 2025

Fonte: Ministério da Saúde, Sinan Net (TabNet/DATASUS). Soma das UFs de infecção feita pelo dogeats.in. 2025 preliminar.

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Labelcasos
Nordeste647
Sudeste191
Norte172
Centro-Oeste83
Sul1
Sem UF de infecção definida237
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Casos novos de leishmaniose visceral humana por estado provável de infecção, 2022 a 2025
Estado2022202320242025
Maranhão225161221183
Ceará189214159183
Minas Gerais151123117128
Piauí7168102126
Pará1361069397
Tocantins871014463
São Paulo83684660
Bahia70675649
Mato Grosso do Sul75642638
Mato Grosso18161932
Sergipe40251627
Pernambuco55372025
Paraíba22301320
Rio Grande do Norte30293018
Alagoas29221116
Goiás1111813
Roraima14131611
Rio de Janeiro9353
Amapá0121
Rio Grande do Sul4711
Paraná1440
Distrito Federal1220
Espírito Santo2100
Santa Catarina1100
UF de infecção ignorada ou exterior360287234237
Brasil1.6841.4611.2451.331

Cachorro transmite leishmaniose para humanos?

O cachorro não passa a leishmaniose diretamente para a pessoa. Quem transmite é a fêmea do mosquito-palha, que se infecta ao picar um cão infectado e depois pica o ser humano. No Brasil a principal espécie transmissora é a Lutzomyia longipalpis, segundo o Ministério da Saúde.

O cão é o principal reservatório do parasita na área urbana. A pessoa não tem esse papel no Brasil, explica o ministério. O inseto, também chamado de asa-dura, birigui ou tatuquira, é pequeno, cor de palha e se cria em matéria orgânica úmida, como folhas e fezes de animais no quintal.

Muitos cães infectados não mostram sinais. O Manual Veterinário MSD cita estudos em que só cerca de 10% dos cães infectados manifestam a doença. Isso dificulta o controle: um cão sem sintomas também pode ser fonte de infecção para o mosquito.

Veterinária examina a orelha de um cachorro vira-lata marrom sobre uma mesa de aço numa clínica
Lesões de pele nas orelhas e no focinho, unhas compridas e emagrecimento estão entre os sinais clássicos da leishmaniose canina. Imagem ilustrativa.
Sinais de leishmaniose visceral em cachorro, pela classificação do Ministério da Saúde
Situação do cãoO que se observa
AssintomáticoNenhum sinal clínico sugestivo da infecção
OligossintomáticoGânglios aumentados, pequena perda de peso e pelo opaco
SintomáticoQueda de pelo, descamação e feridas na pele, unhas compridas e curvas (onicogrifose), emagrecimento, ceratoconjuntivite e fraqueza das patas traseiras
Outros sinais e fase finalAumento do baço, coriza, apatia, diarreia, sangramento intestinal, inchaço das patas e vômito; na fase final, paralisia das patas traseiras, caquexia e morte
Um cachorro que emagrece, perde pelo no focinho e nas orelhas ou tem unhas crescendo demais em área com casos deve ir ao veterinário. Só exames de sangue (sorológicos) ou parasitológicos confirmam a leishmaniose.

A leishmaniose costuma causar anemia e lesão nos rins. Por isso vale evitar alimentos que pioram esses quadros: cebola e alho podem destruir glóbulos vermelhos, e uva e uva-passa podem causar insuficiência renal aguda em cães.

Leishmaniose em cachorro tem cura?

Não existe cura parasitológica: o tratamento pode fazer os sinais clínicos sumirem, mas o cão continua sendo fonte de infecção para o mosquito, afirma o Ministério da Saúde. O Manual Veterinário MSD diz o mesmo: o tratamento frequentemente não elimina a infecção e o cão pode ter recaídas.

Tratar o cachorro é permitido no Brasil desde que se use produto veterinário registrado para esse fim. A Portaria Interministerial nº 1.426, de 2008, proíbe tratar a leishmaniose canina com remédios de uso humano ou sem registro no Ministério da Agricultura. Entre as justificativas da portaria está o risco de selecionar parasitas resistentes aos remédios usados em pessoas.

O único caminho previsto na portaria é um ensaio clínico aprovado por nota técnica conjunta do Ministério da Agricultura e do Ministério da Saúde. Foi assim que o Milteforan, à base de miltefosina, chegou ao mercado em dezembro de 2016. Segundo apresentação do Ministério da Saúde de 2017, o produto reduz os sinais clínicos e a carga de parasitas. Nos estudos, metade dos cães que infectavam o mosquito deixou de infectar. Desde 2017 a miltefosina está na lista C1 do Ministério da Agricultura, com retenção de receita.

Tratamento da leishmaniose canina no Brasil: o que dizem as normas
Norma ou documentoO que estabelece
Portaria Interministerial nº 1.426/2008 (MS e MAPA)Proíbe tratar cães com produtos de uso humano ou sem registro no MAPA; o registro exige ensaio clínico e nota técnica conjunta
Nota Técnica Conjunta nº 001/2016 (MAPA e MS)Base do registro do Milteforan (miltefosina) para uso veterinário, disponível desde dezembro de 2016
Instrução Normativa MAPA nº 35/2017Coloca a miltefosina na lista C1, com retenção de receita e rastreio do veterinário, do cão e do tutor
Ministério da Saúde, página oficialO tratamento pode sumir com os sinais, mas o cão segue como fonte de infecção
A primeira reunião do grupo de trabalho do Ministério da Saúde foi em fevereiro de 2017. Ali ficou registrado que o tratamento deve ser prescrito e acompanhado só por médico veterinário e não deve ser custeado com recursos do SUS. O cão tratado também precisa usar repelente registrado no MAPA contra o mosquito-palha durante toda a vida.

Um cão em tratamento costuma perder peso e apetite. A dieta deve seguir a orientação do veterinário, que pode incluir alimentos simples e bem cozidos, como frango, arroz branco, ovo e abóbora.

Cachorro com leishmaniose precisa ser sacrificado?

O Ministério da Saúde recomenda a eutanásia como uma das formas de controle da leishmaniose visceral, integrada às demais ações. Mas o tutor pode optar por tratar o cão com produto veterinário registrado, disponível desde dezembro de 2016. O manual do ministério de 2006 recomendava a eutanásia de todos os cães com sorologia reagente ou exame parasitológico positivo.

A Lei nº 14.228, de 2021, proíbe que órgãos de controle de zoonoses e canis públicos matem cães e gatos. A exceção é a eutanásia em casos de doenças graves ou enfermidades infectocontagiosas incuráveis que coloquem em risco a saúde humana e a de outros animais. Ela precisa ser justificada por laudo do responsável técnico.

A eficácia da eutanásia é discutida dentro do próprio governo. Uma revisão encomendada pelo Ministério da Saúde reuniu 12 estudos: 9 a favor e 3 contra, mas de baixa qualidade e com resultados inconsistentes. Um fórum de especialistas em 2014 manteve a recomendação pelo princípio da precaução. O ministério listou limitações como a demora entre o exame e o recolhimento do cão, a reposição de cães e a baixa sensibilidade dos testes em animais sem sintomas.

Eutanásia de cães com leishmaniose: posição oficial e debate
FonteAnoPosição
Manual de Vigilância e Controle da LV (Ministério da Saúde)2006Recomenda eutanásia para todos os cães sororreagentes e/ou com parasitológico positivo
Revisão encomendada pelo Ministério da Saúde2017 (apresentação)12 estudos: 9 a favor, 3 contra; baixa qualidade e resultados inconsistentes
Fórum de especialistas2014Manter a eutanásia pelo princípio da precaução e estudar alternativas
Grupo de trabalho do Ministério da Saúde (Portaria nº 2.684/2016)2017Considerou que o tratamento deve ser permitido com produto registrado no MAPA
Lei nº 14.2282021Proíbe matar cães e gatos em órgãos de controle de zoonoses, canis públicos e estabelecimentos oficiais, salvo eutanásia em doença grave ou infectocontagiosa incurável com risco à saúde humana e de outros animais
Ministério da Saúde, página oficialatualEutanásia recomendada como uma das formas de controle, integrada às demais ações

Na prática, cada município aplica o programa pelo seu serviço de controle de zoonoses. Quem recebe um resultado positivo deve conversar com o veterinário sobre exame confirmatório, tratamento com produto registrado e proteção contra o mosquito.

Como prevenir leishmaniose em cachorro?

A coleira impregnada com deltametrina 4% foi incorporada pelo Ministério da Saúde às ações de controle. O estudo financiado pelo ministério encoleirou mais de 300 mil cães em 14 municípios de 2012 a 2015. A coleira, associada às demais ações do programa, reduziu em 50% a prevalência da doença em cães nas áreas de intervenção, comparadas às áreas de controle.

A Nota Técnica nº 5, de 2021, prevê que o ministério compre e distribua a coleira para municípios prioritários, com transmissão alta, intensa ou muito intensa. A coleira é de uso exclusivo em cães a partir de 3 meses e deve ser trocada a cada 6 meses.

A vacina Leish-Tec teve a fabricação e a venda suspensas pelo Ministério da Agricultura em maio de 2023. Oito lotes foram reprovados por ter teor de proteína A2 abaixo do mínimo da licença e foram recolhidos. Antes disso, o Ministério da Saúde já a indicava só como proteção individual do cão, não como medida de controle da doença em pessoas. Até a última verificação, em outubro de 2026, não encontramos comunicado oficial liberando a vacina de novo; pergunte ao veterinário sobre a situação atual.

Pessoa varre folhas secas num quintal enquanto um cachorro vira-lata de coleira cinza descansa no chão de cimento
Limpar folhas, frutos caídos e fezes do quintal tira do mosquito-palha os lugares onde ele se cria. Imagem ilustrativa.
  • Use coleira repelente ou outro produto contra o mosquito-palha registrado no MAPA, trocando no prazo da bula
  • Limpe o quintal com frequência e retire folhas, frutos caídos, fezes e entulho que mantêm o solo úmido
  • Dê destino adequado ao lixo orgânico
  • Limpe o abrigo do cão e, se possível, mantenha o animal longe da casa à noite
  • Em municípios de transmissão intensa ou moderada, ou em surto, o poder público pode aplicar inseticida nas paredes de casas e abrigos de animais
  • Leve ao veterinário o cão que emagrece, perde pelo ou tem feridas que não cicatrizam

As medidas de limpeza do quintal são as recomendadas pelo Ministério da Saúde. Para um cão que precisa recuperar peso, pergunte ao veterinário sobre porções pequenas de alimentos seguros, como batata-doce cozida. Veja outros alimentos no guia do dogeats.in em português.

Perguntas frequentes

Quantos casos de leishmaniose tem no Brasil?

Em 2025 foram 1.331 casos novos de leishmaniose visceral humana, segundo dados preliminares do Sinan. Em 2024 foram 1.245, o menor número desde 2007, e o pico recente foi 4.103 em 2017.

Qual estado tem mais leishmaniose?

Em 2025 Maranhão e Ceará empataram com 183 casos humanos cada, seguidos de Minas Gerais (128) e Piauí (126). O Nordeste somou 647 dos 1.331 casos.

Leishmaniose em cachorro tem cura?

Não há cura parasitológica. O tratamento com produto registrado, como a miltefosina, pode fazer os sinais sumirem, mas o cão continua podendo infectar o mosquito-palha e pode ter recaídas. É o que dizem o Ministério da Saúde e o Manual Veterinário MSD.

Cachorro com leishmaniose precisa ser sacrificado?

O Ministério da Saúde recomenda a eutanásia como uma das medidas de controle, mas o tutor pode tratar o cão com produto veterinário registrado, disponível desde dezembro de 2016. A Lei nº 14.228/2021 só admite eutanásia em centros de zoonoses e canis públicos em casos de doença grave ou infectocontagiosa incurável com risco à saúde. Uma revisão encomendada pelo próprio ministério considerou fracas as evidências sobre a eficácia da eutanásia.

Leishmaniose passa de cachorro para gente?

Não diretamente, segundo o Ministério da Saúde. A transmissão é pela picada da fêmea do mosquito-palha, que se infecta ao picar um cão infectado. O manual do ministério cita outras vias raras, como mordedura, sem importância comprovada para a transmissão a pessoas.

Quantas pessoas morrem de leishmaniose no Brasil?

Em 2025, 116 pessoas com caso novo confirmado morreram de leishmaniose visceral, e em 2024 foram 124, segundo o Sinan. A letalidade oficial foi de 11% em 2022.

Existe vacina contra leishmaniose para cachorro?

A Leish-Tec era a vacina usada no Brasil, mas o Ministério da Agricultura suspendeu a fabricação e a venda em maio de 2023 e mandou recolher oito lotes. Até a última verificação, em outubro de 2026, não encontramos comunicado oficial liberando o produto de novo.

A coleira contra leishmaniose funciona?

No estudo do Ministério da Saúde, a coleira com deltametrina 4%, associada às demais ações de controle, reduziu em 50% a prevalência da doença em cães nas áreas de intervenção. Ela vale para cães a partir de 3 meses e deve ser trocada a cada 6 meses.

Quais são os sintomas de leishmaniose em cachorro?

Perda de pelo e descamação, principalmente no focinho, nas orelhas e nas patas, feridas, unhas compridas, emagrecimento, gânglios aumentados e problemas nos olhos. O Manual Veterinário MSD cita estudos em que só cerca de 10% dos cães infectados mostram sinais.

Metodologia e limitações

Os casos e as mortes humanas vêm do Sinan Net, consultado no TabNet do DATASUS em outubro de 2026. Usamos casos confirmados com tipo de entrada caso novo, por ano de notificação. Com esse filtro, os números de 2007 a 2022 coincidem com a tabela oficial de casos publicada pelo Ministério da Saúde.

Os casos por estado usam a UF provável de infecção, o critério das tabelas oficiais desde 2007. As somas por região foram feitas pelo dogeats.in a partir das UFs. As mortes são os casos novos com evolução óbito por leishmaniose visceral no Sinan.

As informações sobre o cão, o tratamento, a eutanásia, a coleira e a vacina vêm de textos oficiais. São eles a página da doença no Ministério da Saúde, a Portaria Interministerial nº 1.426/2008, a Nota Técnica nº 5/2021 e o Manual de Vigilância e Controle de 2006. Também usamos uma apresentação do Ministério da Saúde de 2017, a nota do Ministério da Agricultura de maio de 2023 e o Voto nº 25/2020 da Anvisa. A base legal é a Lei nº 14.228/2021. Os sinais clínicos seguem o manual do ministério e o Manual Veterinário MSD.

Limitações. Os dados de 2025 são preliminares e podem mudar. As mortes contadas no Sinan não coincidem exatamente com a tabela oficial de óbitos do ministério (por exemplo, 317 contra 327 em 2017). A diferença vem possivelmente de atualização e de critério; por isso não calculamos letalidade e citamos a oficial de 2022. Cerca de 18% dos casos de 2025 não têm estado de infecção definido, o que subestima os totais estaduais. Não existe contagem nacional pública de cães com leishmaniose, então este relatório não traz números de casos caninos. O manual de 2006 é anterior à liberação do tratamento canino em 2016.

Fontes

  1. Ministério da Saúde, DATASUS: TabNet Sinan Net, Leishmaniose visceral, casos confirmados (2007 a 2025), Casos novos, mortes, idade, HIV e UF de infecção
  2. Ministério da Saúde: Leishmaniose Visceral, Transmissão, papel do cão, tratamento e eutanásia
  3. Ministério da Saúde: Nota Técnica nº 5/2021-CGZV/DEIDT/SVS/MS, coleiras impregnadas com deltametrina 4%, Estudo das coleiras e regras de uso
  4. Também consultados: Ministério da Saúde: Casos confirmados de leishmaniose visceral, Brasil, Grandes Regiões e UF, 2000 a 2022 (cópia arquivada), Ministério da Saúde: Taxa de letalidade de leishmaniose visceral, 2000 a 2022 (cópia arquivada), Portaria Interministerial nº 1.426, de 11 de julho de 2008, Ministério da Saúde (CGDT/SVS): Leishmaniose: vacina, tratamento ou sacrifício animal como estratégia de saúde única? (2017), Anvisa: Voto nº 25/2020/SEI/DIRE3, Ministério da Agricultura e Pecuária: Mapa suspende fabricação e venda e determina o recolhimento de lotes de vacina contra Leishmaniose (24/05/2023), Ministério da Saúde: Manual de Vigilância e Controle da Leishmaniose Visceral (2006), Lei nº 14.228, de 20 de outubro de 2021, MSD Veterinary Manual: Leishmaniosis in Dogs.

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52.674 casos novos de leishmaniose visceral humana confirmados no Brasil de 2007 a 2025, segundo o Sinan
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