Relatório de dados · Atualizado em outubro de 2026

Envenenamento de cachorro por chumbinho: sintomas, quanto tempo leva para agir, o que fazer e o que dizem os estudos brasileiros

Chumbinho é o nome popular de venenos granulados vendidos ilegalmente como raticida, em geral agrotóxicos desviados da lavoura, sobretudo carbamatos, com o aldicarbe à frente. A venda de qualquer produto com aldicarbe é proibida no Brasil desde 2012. Não existe estatística nacional atual de cães envenenados: o Sinitox publicou dados de intoxicação animal só até 2017, sem separar espécie nem chumbinho. Por isso este relatório se apoia em estudos veterinários brasileiros. Nas necropsias da FMVZ/USP, em São Paulo, de 1999 a 2003, o aldicarbe respondeu por 89,0% das intoxicações fatais em cães. Os sinais podem começar 5 minutos depois da ingestão, e o prognóstico depende sobretudo da dose e do tempo até o atendimento veterinário.

Cachorro vira-lata marrom sentado e atento no piso frio de uma casa, com a mão do tutor nas costas
Imagem ilustrativa. Os dados e os gráficos vêm das fontes citadas neste relatório.
89%
das intoxicações fatais em cães necropsiados na FMVZ/USP, em São Paulo, de 1999 a 2003, foram por aldicarbe, o principal chumbinho
5 min
tempo mínimo para os primeiros sinais após a ingestão de aldicarbe, segundo revisão na Ciência Rural
73%
dos exames toxicológicos em cães e gatos necropsiados na Unesp Botucatu (2009 a 2014) deram carbamato
2012
ano em que o aldicarbe foi banido no Brasil, com o cancelamento do registro do Temik 150
2 a 5 anos
de reclusão, mais multa e proibição da guarda, para maus-tratos a cão ou gato (Lei 14.064/2020)

Pela equipe editorial do dogeats.in · Publicado em 16 de outubro de 2026 · Atualizado em 18 de outubro de 2026 · Uso livre com crédito (CC BY 4.0)

41 estatísticas · 12 fontes · 3 gráficos · 4 tabelas · cada número conferido na fonte

Principais conclusões

  1. Nas necropsias da FMVZ/USP, em São Paulo, de 1999 a 2003, o aldicarbe causou 113 das 127 intoxicações fatais em cães, 89,0% do total.
  2. No mesmo estudo, as intoxicações foram 9,8% das causas de morte em cães e 31,8% em gatos, entre 1.633 necropsias de cães e gatos.
  3. Na Unesp Botucatu, 16 dos 22 exames toxicológicos de cães e gatos necropsiados de 2009 a 2014 deram carbamato (73%).
  4. Os sinais da intoxicação por aldicarbe podem começar 5 minutos após a ingestão e em geral aparecem em 15 a 30 minutos.
  5. Anvisa e Ministério da Agricultura cancelaram em 2012 o único agrotóxico à base de aldicarbe registrado no país, o Temik 150.
  6. Em análises de chumbinho feitas em diversas cidades do país, o aldicarbe aparecia em cerca de 50% das amostras, segundo nota da Secretaria da Saúde do Paraná (2018). A nota não informa quantas amostras nem quando; outras tinham carbofurano, terbufós, forato, monocrotofós ou metomil.
  7. O Sinitox registrou 846 casos de intoxicação em animais de todas as espécies em 2017, último ano publicado, contra 1.995 em 2012. O próprio Sinitox atribui a queda à menor participação dos centros.
  8. O MSD Veterinary Manual diz que a pralidoxima não deve ser usada contra carbamatos, salvo mistura com organofosforados; o antídoto é a atropina, dada pelo veterinário.
  9. Envenenar um cachorro é crime de maus-tratos: reclusão de 2 a 5 anos, multa e proibição da guarda, com aumento de um sexto a um terço se o animal morre.

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Principais conclusões: Envenenamento de cachorro por chumbinho: sintomas, quanto tempo leva para agir, o que fazer e o que dizem os estudos brasileiros
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O que é chumbinho e por que ele mata cachorros?

Chumbinho é um veneno granulado, de cor cinza escura ou grafite, vendido de forma clandestina como raticida. Não tem registro na Anvisa nem em outro órgão de governo, segundo nota técnica da Secretaria da Saúde do Paraná de 2018 que reproduz perguntas e respostas da Anvisa.

Na maioria das vezes é agrotóxico desviado da lavoura. O aldicarbe, um carbamato, aparecia em cerca de 50% das amostras analisadas em diversas cidades do país, segundo a mesma nota. Ela não informa o número de amostras nem o ano das análises. Também foram encontrados carbofurano e metomil, outros carbamatos, e os organofosforados terbufós, forato e monocrotofós. A substância muda de região para região.

Esses venenos bloqueiam a acetilcolinesterase, a enzima que desliga os impulsos nervosos. O resultado é salivação, tremores, convulsões e insuficiência respiratória. O MSD Veterinary Manual registra que cães são envenenados com aldicarbe de propósito com frequência, e cita para o aldicarbe uma DL50 oral de 0,9 mg por kg em ratos.

Substâncias encontradas em amostras de chumbinho no Brasil
SubstânciaGrupo químicoSituação
AldicarbeCarbamatoProibido no Brasil desde 2012; em cerca de 50% das amostras analisadas
CarbofuranoCarbamatoEncontrado em amostras de chumbinho
MetomilCarbamatoEncontrado em amostras de chumbinho
TerbufósOrganofosforadoEncontrado em amostras de chumbinho
ForatoOrganofosforadoEncontrado em amostras de chumbinho
MonocrotofósOrganofosforadoEncontrado em amostras de chumbinho

Quantos cachorros morrem envenenados com chumbinho no Brasil?

Não há um número nacional atual. O Sinitox, da Fiocruz, publicou casos de intoxicação animal só até 2017, quando registrou 846 casos em animais, sem separar cães de outras espécies e sem uma categoria para chumbinho. Em 2012 tinham sido 1.995.

A queda não indica necessariamente menos casos: o próprio Sinitox avisa que os números menores dos últimos anos refletem a menor participação dos centros de informação toxicológica. Em 2017, 633 dos 846 registros animais vieram de um único centro, o CIT de Porto Alegre. Dos 34 centros listados na tabela, 20 aparecem sem nenhum registro e 26 sem caso animal. Raticidas responderam por 84 casos animais naquele ano, e agrotóxicos de uso agrícola e doméstico por outros 130.

Os melhores dados vêm de serviços de necropsia veterinária. No Serviço de Necroscopia da FMVZ/USP, em São Paulo, foram 1.633 necropsias de cães e gatos de 1999 a 2003. Entre os animais necropsiados, as intoxicações causaram 9,8% das mortes em cães e 31,8% em gatos, e o aldicarbe respondeu por 89,0% das intoxicações fatais em cães (113 casos). O diagnóstico combinou histórico, achados de necropsia e cromatografia do conteúdo do estômago.

Cachorro preto e branco cheirando a calçada junto ao muro de uma casa em rua de bairro ao entardecer
Em 2017, último ano publicado, o Sinitox registrou 846 intoxicações em animais de todas as espécies, sem separar cães nem chumbinho. Imagem ilustrativa.
Casos de intoxicação animal registrados pelo Sinitox, todas as espécies e agentes, 2008 a 2017
Casos de intoxicação animal registrados pelo Sinitox, todas as espécies e agentes, 2008 a 20172008: 1.854; 2009: 1.668; 2010: 1.667; 2011: 1.948; 2012: 1.995; 2013: 1.098; 2014: 1.611; 2015: 1.668; 2016: 1.652; 2017: 84605001.0001.5002.00020081.85420091.66820101.66720111.94820121.99520131.09820141.61120151.66820161.6522017846casos

Fonte: Fiocruz, Sinitox, Tabela 4 (Brasil) de cada ano, coluna Animal, atualizada em 25/05/2020. Casos em animais de todas as espécies, não só cães, e por qualquer agente. 2017 é o último ano publicado. O número de centros que enviam dados varia por ano.

Ver os números
Labelcasos
20081.854
20091.668
20101.667
20111.948
20121.995
20131.098
20141.611
20151.668
20161.652
2017846
Incorporar este gráfico
Intoxicações como causa de morte em cães e gatos necropsiados na FMVZ/USP, São Paulo, 1999 a 2003 (%)

Fonte: Xavier F. G., dissertação de mestrado, FMVZ/USP, 2004. Base: 1.633 necropsias de cães e gatos, com 234 intoxicações no total. Dados de um único serviço de necropsia, não do país.

Ver os números
Label%
Gatos31,8%
Cães e gatos juntos14,3%
Cães9,8%
Incorporar este gráfico
Agentes das intoxicações fatais em cães necropsiados na FMVZ/USP, São Paulo, 1999 a 2003 (%)

Fonte: Xavier F. G., dissertação de mestrado, FMVZ/USP, 2004 (não é artigo revisado por pares; os mesmos dados foram resumidos na revisão da Ciência Rural, 2007). Base: 127 cães com intoxicação fatal (113 + 12 + 2, cálculo do dogeats.in).

Ver os números
Label%
Aldicarbe (chumbinho)89,0%
Anticoagulantes9,4%
Monofluoracetato de sódio1,6%
Incorporar este gráfico
Estudos brasileiros sobre envenenamento de cães e o peso dos carbamatos
EstudoLocal e períodoCasosResultado principal
Xavier, dissertação de mestrado FMVZ/USP (2004)São Paulo, 1999 a 20031.633 necropsias de cães e gatosAldicarbe em 89,0% das intoxicações fatais em cães (113 casos)
Tremori e outros, Revista Brasileira de Ciência Veterinária (2018)Botucatu (SP), 2009 a 201442 necropsias (31 cães, 11 gatos)Carbamato em 16 de 22 exames toxicológicos (73%)
Paula e Spinosa, resumo de simpósio SIICUSP (FMVZ/USP), sem revisão por paresSão Paulo, 2010 a 2020334 cães intoxicados atendidos no hospitalRaticidas (carbamatos) em 24,85%, segunda causa
Trabalho de conclusão de curso, UFRGS (semestre 2020/2), dados do CIT-RS, sem revisão por paresRio Grande do Sul, 2016 a 202049 casos de carbamato em cães e gatosAldicarbe em 19,05% dos 42 carbamatos identificados; propoxur e carbaril vieram antes

Como saber se o cachorro foi envenenado com chumbinho?

Os sinais mais típicos são salivação intensa, tremores musculares, vômito, pupilas contraídas, diarreia, urina frequente e convulsões, segundo a revisão da Ciência Rural e o MSD Veterinary Manual.

Segundo a revisão publicada na Ciência Rural em 2007, o quadro começa com agitação e evolui para apatia ou excitação excessiva. Nos casos graves aparecem dificuldade para respirar, mucosas arroxeadas e depressão do sistema nervoso. A morte vem da falta de oxigênio, pelo excesso de secreção nos pulmões e pela queda dos batimentos.

Grânulos escuros na boca, no vômito ou perto de um petisco estranho reforçam a suspeita. Na necropsia da USP, todos os animais mortos por aldicarbe tinham grânulos enegrecidos no conteúdo do estômago.

Salivação de repente, tremores e pupilas pequenas depois de um passeio ou de um tempo sozinho no quintal são sinal de urgência. Vá ao veterinário na hora, sem esperar o quadro piorar.

Quanto tempo o chumbinho demora para agir?

O aldicarbe age muito rápido: os sinais podem começar 5 minutos após a ingestão e em geral surgem em 15 a 30 minutos. É o que diz a revisão de Xavier, Righi e Spinosa na Ciência Rural. O animal pode morrer poucos minutos depois da exposição oral.

O corpo elimina o aldicarbe rápido, com 80% a 90% da dose saindo na urina em 24 horas. Mesmo assim, três cães de um estudo citado na revisão tiveram a síndrome intermediária 2 a 4 dias depois, com pálpebras caídas, reflexos fracos e pescoço flácido.

Organofosforados, também achados no chumbinho, podem demorar mais. O MSD Veterinary Manual diz que os sinais costumam surgir em minutos ou horas, mas em alguns casos só depois de mais de 2 dias.

Linha do tempo da intoxicação por chumbinho (aldicarbe) em cães
MomentoO que pode acontecerFonte
5 minutosPrimeiros sinais possíveisCiência Rural, 2007
15 a 30 minutosInício habitual dos sinaisCiência Rural, 2007
Até 2 horasPrazo em que o veterinário ainda pode retirar o veneno do estômago (o vômito não deve ser provocado se já há sinais neurológicos)Ciência Rural, 2007; MSD Veterinary Manual
24 horas80% a 90% da dose eliminada na urinaCiência Rural, 2007
2 a 4 diasSíndrome intermediária em alguns cãesCiência Rural, 2007

O que fazer se o cachorro comeu chumbinho?

Leve o cachorro ao veterinário imediatamente, de preferência a uma clínica 24 horas. O prognóstico depende sobretudo da dose e do tempo entre a ingestão e o primeiro atendimento, segundo a revisão da Ciência Rural.

O tratamento é veterinário. Até 2 horas depois da ingestão, o veterinário pode provocar o vômito ou fazer lavagem gástrica, e depois dá carvão ativado. O antídoto é a atropina, em doses repetidas conforme a resposta. O MSD Veterinary Manual diz que a pralidoxima não deve ser usada contra carbamatos, salvo quando há mistura com organofosforados. Na página sobre organofosforados, cujo tratamento é semelhante, o manual diz que provocar vômito é contraindicado quando já há sinais neurológicos.

Leve junto, em saco fechado, o resto do petisco, a isca ou os grânulos, sem tocar com a mão desprotegida. Segundo a dissertação da USP, a cromatografia em amostras de alimento e de isca ajuda a confirmar o aldicarbe. Se uma pessoa também teve contato com o veneno, ligue para o Disque-Intoxicação da Anvisa, 0800-722-6001.

Cachorro de pelo dourado deitado em uma mesa de pronto-socorro veterinário recebendo soro na pata
O prognóstico depende sobretudo da dose ingerida e do tempo até o primeiro atendimento, segundo a revisão da Ciência Rural (2007). Imagem ilustrativa.
  • Leve o cachorro ao veterinário na hora, mesmo que ele ainda pareça bem.
  • Não dê remédio nem tente provocar o vômito em casa sem orientação: com sinais neurológicos, isso é contraindicado.
  • Guarde a isca, o vômito ou os grânulos em saco plástico fechado para o veterinário.
  • Use luvas e lave as mãos; o aldicarbe pode ser absorvido pela pele.
  • Faça um boletim de ocorrência se suspeitar de envenenamento proposital.

Além do chumbinho, vários alimentos comuns são tóxicos para cães. Veja os guias sobre chocolate, xilitol, uva, uva-passa, cebola, alho, noz-macadâmia, abacate, cafeína e bebida energética, e todos os guias no dogeats.in em português.

Chumbinho é proibido?

Sim. Chumbinho não tem registro em nenhum órgão do governo, e a produção, a venda e o uso de qualquer agrotóxico à base de aldicarbe estão proibidos no Brasil desde 2012. A Anvisa cancelou a avaliação toxicológica em junho de 2012 e o Ministério da Agricultura cancelou o registro do Temik 150 em outubro.

O Temik 150, da Bayer, era o único produto com aldicarbe autorizado, só para uso agrícola em batata, café, citros e cana-de-açúcar. A Anvisa lembrou ainda que o chumbinho nem funciona bem contra ratos: o primeiro rato morre na hora e os outros evitam a isca.

Envenenar um cachorro é crime. O artigo 32 da Lei 9.605/1998 pune maus-tratos a animais, e a Lei 14.064/2020 fixou para cães e gatos reclusão de 2 a 5 anos, multa e proibição da guarda. A pena aumenta de um sexto a um terço se o animal morre. Na Unesp Botucatu, metade dos 42 casos necropsiados tinha boletim de ocorrência.

Chumbinho e envenenamento de cães: o que diz a lei
Norma ou atoO que estabelece
Lei 9.605/1998, art. 32Crime de maus-tratos a animais domésticos (vigente)
Lei 14.064/2020 (art. 32, § 1º-A)Para cão ou gato: reclusão de 2 a 5 anos, multa e proibição da guarda (vigente)
Lei 9.605/1998, art. 32, § 2ºPena aumentada de um sexto a um terço se o animal morre (vigente)
Anvisa, junho de 2012Cancelamento da avaliação toxicológica dos agrotóxicos com aldicarbe
Ministério da Agricultura, outubro de 2012Cancelamento do registro do Temik 150

Perguntas frequentes

Como saber se o cachorro foi envenenado com chumbinho?

Os sinais típicos são salivação intensa, tremores, vômito, pupilas contraídas, diarreia e convulsões, às vezes com grânulos escuros na boca ou no vômito. Nos casos graves há dificuldade para respirar e mucosas arroxeadas.

O que fazer se o cachorro comeu chumbinho?

Leve-o ao veterinário imediatamente e leve junto a isca ou os grânulos em saco fechado. O veterinário pode retirar o veneno do estômago até cerca de 2 horas depois da ingestão e usa atropina como antídoto.

Quanto tempo o chumbinho demora para agir?

Os sinais podem começar 5 minutos após a ingestão de aldicarbe e em geral aparecem em 15 a 30 minutos. Alguns cães têm uma síndrome intermediária 2 a 4 dias depois.

Chumbinho é proibido?

Sim. O chumbinho não tem registro em nenhum órgão do governo, e o aldicarbe, sua substância mais comum, está proibido no Brasil desde 2012.

Cachorro envenenado com chumbinho tem cura?

Pode sobreviver se for tratado a tempo. O prognóstico depende da dose e do tempo até o primeiro atendimento; sem tratamento, o aldicarbe pode matar em poucos minutos.

Leite ajuda cachorro envenenado?

Não há base nas fontes veterinárias consultadas para dar leite ou outro remédio caseiro. O tratamento indicado pelo MSD Veterinary Manual e pela revisão da Ciência Rural é feito pelo veterinário, com descontaminação e atropina.

Qual a pena para quem envenena cachorro?

Reclusão de 2 a 5 anos, multa e proibição da guarda, pela Lei 14.064/2020. A pena aumenta de um sexto a um terço se o animal morre.

Quantos cachorros morrem envenenados no Brasil?

Não existe número nacional atual. Nas necropsias da FMVZ/USP, em São Paulo, de 1999 a 2003, as intoxicações foram 9,8% das mortes de cães necropsiados, e 89,0% delas foram por aldicarbe.

Metodologia e limitações

Não há estatística nacional atual de cães envenenados por chumbinho. O Sinitox, da Fiocruz, publica casos de intoxicação animal por agente só até 2017 (na coluna Animal, todas as espécies juntas), e não tem categoria para chumbinho. Usamos a Tabela 4 nacional de 2008 a 2017 apenas para mostrar o tamanho e a falha do registro.

Por isso o relatório se apoia em dois estudos veterinários brasileiros. O primeiro é a dissertação de mestrado de Xavier na FMVZ/USP (necropsias em São Paulo, 1999 a 2003). O segundo é o artigo de Tremori e outros na Revista Brasileira de Ciência Veterinária (Unesp Botucatu, 2009 a 2014). A tabela de estudos cita ainda um resumo do simpósio de iniciação científica da USP (hospital veterinário, 2010 a 2020). Também cita um trabalho de conclusão de curso da UFRGS com protocolos do CIT-RS (2016 a 2020). Esses dois não são revisados por pares, estão identificados assim e nenhum número de destaque depende deles. Os sinais clínicos do CIT-RS não foram usados porque a maioria dos carbamatos daquela série era propoxur ou carbaril, não chumbinho.

Sinais, tempo de ação e tratamento seguem a revisão de Xavier, Righi e Spinosa na Ciência Rural (2007) e o MSD Veterinary Manual. Os dados sobre o banimento do aldicarbe vêm da nota da Anvisa publicada pela Agência Brasil em 2012 e da nota técnica da Secretaria da Saúde do Paraná de 2018. O texto das leis foi lido no Planalto.

Limitações. Os estudos são de serviços no estado de São Paulo e no Rio Grande do Sul e não representam o país inteiro. Necropsias contam só animais mortos levados ao serviço, o que puxa para cima o peso do chumbinho; hospitais e centros de toxicologia contam animais vivos. A maioria dos estudos tem mais de 3 anos e o aldicarbe foi banido em 2012, então a composição do chumbinho vendido hoje pode ser outra. Não encontramos uma taxa de letalidade brasileira confiável para cães intoxicados por chumbinho e por isso não damos esse número. Os dados do Sinitox dependem de quantos centros enviam informação a cada ano.

Fontes

  1. Xavier F. G.: Intoxicação por aldicarb (chumbinho) em cães e gatos, dissertação de mestrado, FMVZ/USP, 2004, Necropsias de 1999 a 2003; aldicarbe em 89,0% das intoxicações fatais em cães
  2. Xavier F. G., Righi D. A., Spinosa H. S.: Toxicologia do praguicida aldicarb (chumbinho) em cães e gatos, Ciência Rural 37 (4), 2007, Tempo de ação, sinais clínicos e tratamento
  3. MSD Veterinary Manual: Carbamate Toxicosis in Animals (atualizado em setembro de 2024), Envenenamento proposital de cães, atropina e pralidoxima
  4. Também consultados: Tremori T. M. e outros: Achados necroscópicos em cães e gatos vítimas de intoxicação exógena, Revista Brasileira de Ciência Veterinária 25 (1), 2018, Agência Brasil: Anvisa, agrotóxico utilizado como chumbinho é retirado do mercado brasileiro (5 de novembro de 2012), Secretaria de Estado da Saúde do Paraná: Nota Técnica nº 09/2018, raticidas irregulares, Fiocruz, Sinitox: Dados nacionais, Tabelas 1 e 4, 2008 a 2017, MSD Veterinary Manual: Organophosphate Toxicosis in Animals, UFRGS, Faculdade de Veterinária: trabalho de conclusão de curso sobre intoxicações por organofosforados e carbamatos atendidas pelo CIT-RS, 2016 a 2020, Paula J. F., Spinosa H. S.: Estudo retrospectivo de casos de intoxicação em cães atendidos no Hovet da FMVZ/USP, resumo SIICUSP, Planalto: Lei nº 9.605/1998, art. 32, com redação da Lei nº 14.064/2020, Anvisa: Disque-Intoxicação.

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